A arte nas ruas de quem sobe a Bahia e desce a Floresta
Não há quem caminhe pelo centro de Belo Horizonte, ou passe pelo primeiro quarteirão da famosa rua da Bahia, sem se tocar pelo simpático dinossauro triste que emoldura um casal e que nos mostra que o amor sempre tem seus contratempos. Nas paredes do centro cultural CentoeQuatro, que fica no centenário prédio que abrigou por muitos anos a 104 Tecidos, o trabalho de Rogério Fernandes ganha a visibilidade que merece, além de ajudar a repensar o espaço público como área de convivência e intervenção, na contramão da ideia de que as ruas são meros corredores de passagem.
O artista estudou design e especializou-se em gravura, tendo passado pela Escola Guignard, pela UFMG e pela UAL, em Londres. Apresenta-se como um obcecado pela reprodução, justificando o trabalho em diferentes suportes. Por conta disso, tem se tornado cada vez mais comum se deparar com seus traços pelas ruas de BH. Animais, seres míticos e figuras humanas estampam, por exemplo, a sede do Grupo Corpo, na Avenida Bandeirantes, e a fachada do Espaço Cultural Spetáculo, na rua Pouso Alegre. Seu trabalho já passou por inúmeras galerias da cidade e diferentes espaços alternativos, como o Café com Letras e o Cine Belas Artes.
Sua principal referência é a xilogravura da literatura de cordel, à qual acrescenta muita cor, lirismo, fantasia e personagens do universo pop. A combinação de todos esses elementos permite que seu trabalho transite das galerias de arte para os acessórios pessoais, dos muros da cidade para as almofadas da sua casa. Tudo tão naturalmente improvável quanto os encontros de Cartola e Lady Gaga, Kurt Cobain e Carmen Miranda, em lindas luminárias, moleskines e almofadas, à venda em sua loja virtual, ou na galeria/atelier que fica no Sion. Ambas valem a visita.

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